segunda-feira, 7 de maio de 2012

A terceira crise do capitalismo

Por Frei Betto

A atual crise econômica do capitalismo manifestou seus primeiros sinais nos EUA em 2007 e já faz despontar no Brasil sinais de incertezas.
O sistema é um gato de sete fôlegos. No século passado, enfrentou duas grandes crises. A primeira, no início do século XX, nos primórdios do imperialismo, ao passar do laissez-faire (liberalismo econômico) à concentração do capital por parte dos monopólios. A guerra econômica por conquista de mercados ensejou a bélica: a Primeira Guerra Mundial. Resultou numa “saída” à esquerda: a Revolução Russa de 1917.
Em 1929, nova crise, a Grande Depressão. Da noite para o dia milhares de pessoas perderam seus empregos, a Bolsa de Nova York quebrou, a recessão se estendeu por longo período, com reflexos em todo o mundo. Desta vez a “saída” veio pela direita: o nazismo. E, em consequência, a Segunda Guerra Mundial.
E agora, José?
Essa terceira crise difere das anteriores. E surpreende em alguns aspectos: os países que antes compunham a periferia do sistema (Brasil, China, Índia, Indonésia), por enquanto estão melhor que os metropolitanos. Neste ano, o crescimento dos países latino-americanos deve superar o dos EUA e da Europa. Deste lado do mundo são melhores as condições para o crescimento da economia: salários em elevação, desemprego em queda, crédito farto e redução das taxas de juros.
Nos países ricos se acentuam o déficit fiscal, o desemprego (24,3 milhões de desempregados na União Europeia), o endividamento dos Estados. E, na Europa, parece que a história –para quem já viu este filme na América Latina– está sendo rebobinada: o FMI passa a administrar as finanças dos países, intervém na Grécia e na Itália e, em breve, em Portugal, e a Alemanha consegue, como credora, o que Hitler tentou pelas armas – impor aos países da zona do euro as regras do jogo.
Até agora não há saída para esta terceira crise. Todas as medidas tomadas pelos EUA são paliativas e a Europa não vê luz no fim do túnel. E tudo pode se agravar com a já anunciada desaceleração do crescimento de China e consequente redução de suas importações. Para a economia brasileira será drástico.
O comércio mundial já despencou 20%. Há progressiva desindustrialização da economia, que já afeta o Brasil. O que sustenta, por enquanto, o lucro das empresas é que elas operam, hoje, tanto na produção quanto na especulação. E, via bancos, promovem a financeirização do consumo. Haja crédito! Até que a bolha estoure e a inadimplência se propague como peste.
A “saída” dessa terceira crise será pela esquerda ou pela direita? Temo que a humanidade esteja sob dois graves riscos. O primeiro, já é óbvio: as mudanças climáticas. Produzidas inclusive pela perda do valor de uso dos alimentos, agora sujeitos ao valor de compra estabelecido pelo mercado financeiro.
Há uma crescente reprimarização das economias dos chamados emergentes. Países, como o Brasil, regridem no tempo e voltam a depender das exportações de commodities (produtos agrícolas, petróleo e minério de ferro, cujos preços são determinados pelas transnacionais e pelo mercado financeiro).
Neste esquema global, diante do poder das gigantescas corporações transnacionais, que controlam das sementes transgênicas aos venenos agrícolas, o latifúndio brasileiro passa a ser o elo mais fraco.
O segundo risco é a guerra nuclear. As duas crises anteriores tiveram nas grandes guerras suas válvulas de escape. Diante do desemprego massivo, nada como a indústria bélica para empregar trabalhadores desocupados. Hoje, milhares de artefatos nucleares estão estocados mundo afora. E há inclusive minibombas nucleares, com precisão para destruições localizadas, como em Hiroshima e Nagasaki.
É hora de rejeitar a antecipação do apocalipse e reagir. Buscar uma saída ao sistema capitalista, intrinsecamente perverso, a ponto de destinar trilhões para salvar o mercado financeiro e dar as costas aos bilhões de serem humanos que padecem entre a pobreza e a miséria.
Resta, pois, organizar a esperança e criar, a partir de ampla mobilização, alternativas viáveis que conduzam a humanidade, como se reza na celebração eucarística, “a repartir os bens da Terra e os frutos do trabalho humano”.

Artigo publicado no "CORREIO DO BRASIL' em 05 de maio de 2012.

Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Marcelo Gleiser, de “Conversa sobre a fé e a ciência” (Agir), entre outros livros. www.freibetto.org – Twitter:@freibetto.

sábado, 5 de maio de 2012

Alunos mato-grossenses visitam Mampituba


Um grupo de 28 alunos “mato-grossenses” visitaram o município de Mampituba nos dias 26, 27 e 28 de abril, para conhecer propriedades onde acontecem experiências agro-florestais . Os jovens, oriundos de sete Municípios do norte do Estado de Mato Grosso , região conhecida como “Portal da Amazônia” e estão participando do Curso de Formação de Jovens para Mobilização Social e Agro ecologia, organizado pelo “Instituto Ouro Verde”, uma organização não governamental fundada em 1999 que possui como foco de atuação a “Participação Social” como base para o desenvolvimento sustentável. Parte da idéia que o desenvolvimento não envolve modelos prontos, mas sim algo em permanente construção.

Com o objetivo de trocar experiências com agricultores de outros estados, os alunos participaram no dia 21 de abril da “5ª Feira das Sementes Crioulas no Município Catarinense de Anchieta/SC. Antes de chegar a Mampituba, o grupo ainda esteve nos Município de São Miguel D”Oeste/SC e Santa Cruz do Sul/RS.

O grupo que chegou em Mampituba na tarde de quinta-feira (26), ficou hospedado nas casas de agricultores nas comunidades de Rio de Dentro e Alto Rio de Dentro, onde tiveram a oportunidade de conhecer mais profundamente a cultura e os costumes da população mampitubense, além de conhecer atividades agrícolas diferentes como bananais e engenhos de cana de açúcar. Na região os alunos visitaram quatro propriedades com experiências em sistemas agro florestais, sendo duas localizadas em Mampituba e outras duas em Morrinhos do Sul. Na foto abaixo, o grupo aparece visitando a propriedade do agricultor Lindomar Pereira Ramos, no Morro do Costãozinho.

Para Vander de Freitas Rocha, coordenador do curso, o intercâmbio é um momento de “aprender as experiências da comunidade e da sociedade, dos agricultores familiares em luta”. O grupo que iniciou a viagem de volta na tarde de sábado, ainda passou por duas novas experiências em solo gaúcho. Além de enfrentar pela primeira vez temperaturas tão baixas, os alunos ainda tiveram como recompensa a emoção inesquecível de ver o mar pela primeira vez, na tarde de sábado em Torres.

Código Florestal e pedido de Referendo Popular



Confira artigo de Leonardo Boff sobre o Código Florestal e a sua proposta para a realização de um referendo, para ver qual a vontade do povo brasileiro em relação a esse Código, tão defendido pelos ruralistas.

                            Artigo de Leonardo Boff


Lamento  profundamente  que  a discussão do Código Florestal foi colocada preferentemente um contexto econômico, de produção de commodities e de mero crescimento econômico.

Isso mostra a cegueira que tomou conta da maioria dos parlamentares e também de setores importantes do Governo. Não tomam em devida conta as mudanças ocorridas no sistema-Terra e no sistema-Vida que levaram ao aquecimento global.
Este é apenas um nome que encobre práticas de devastação de florestas no mundo inteiro e no Brasil, envenenamento dos solos, poluição crescente da atmosfera, diminuição drástica da biodiversidade, aumento acelerado da desertificação e, o que é mais dramático, a escassez progressiva de água potável que  atualmente já tem produzido 60 milhões de exilados.
Aquecimento global significa ainda a ocorrência cada vez mais frequente de eventos extremos, que estamos assistindo no mundo inteiro e mesmo em nosso país, com enchentes devastadoras de um lado, estiagens prolongadas de outro e vendavais nunca havidos no Sul do Brasil que produzem grandes prejuízos em casas e plantações destruídas.
A Terra pode viver sem nós e até melhor. Nós não podemos viver sem a Terra. Ela é nossa única Casa Comum e não temos outra.
A luta é pela vida, pelo futuro da humanidade e pela preservação da Mãe Terra. Vamos sim produzir, mas respeitando o alcance e o limite de cada ecossistema, os ciclos da natureza e cuidando dos bens e serviços que Mãe Terra gratuita e permanentemente nos dá.
E vamos sim salvar a vida, proteger a Terra e garantir um futuro comum, bom para todos os humanos e para a toda a comunidade de vida, para as plantas, para os animais, para osdemais seres da criação.
A vida é chamada para a vida e não para a doença e para morte. Não permitiremos que um Código Florestal mal intencionado ponha em risco nosso futuro e o futuro de nossos filhos, filhas e netos. Queremos que eles nos abençoem por aquilo que tivermos feito de bom para a vida e para a Mãe Terra e não tenham motivos para nos amaldiçoar por aquilo que deixamos de fazer e podíamos ter feito e não fizemos.
O momento é de resistência, de denúncia e de exigências de transformações nesse Código que modificado honrará a vida e alegrará a grande, boa e generosa Mãe Terra. Agora é o momento ds cidadania popular se manifestar. O poder demana do povo. A Presidenta e os parlamentares são nossos delegados e nada mais. Se não representarem o bem do povo e da nação, de nossas riquezas naturais, de nossas florestas, de nossa fauna e flora,  de nossos rios, de nossos solos e de nossa imensa biodiversidade perderam a legitimidade e o uso do poder público é usurpação. Temos o direito de buscar o caminho constitucional do referendo popular. E ai veremos o que o povo brasileiro quer para si, para a humanidade, para a natureza e para o futuro da Mãe Terra.

Artigo publicado no site da Comissão Pastoral da Terra - Nacional em 02/05/2012.

Sementes Crioulas

Confira no link abaixo uma entrevista com o Padre Bernardo Rockembach, da diocese de Santa Cruz do Sul ao Blog da Comissão Pastoral da Terra do RS, sobre a realização do 12º Encontro Diocesano de Sementes Crioulas, que acontecerá no município de Vale do Sol, no dia 13 de junho de 2012.

cptdors.blogspot.com.br


Será que não poderíamos pensar em algo parecido em nossa região?

Comentem! Participem! Precisamos enriquecer este blog!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Romaria da Terra 2009

Participação na Romaria da Terra de 2009 em Sapucaia do Sul.
Em 2013 será na Diocese de Caxias do Sul - Teremos que estar todos lá



DNJ 1992 em Vila São Jacó

Imagem do Dia Nacional da Juventude, realizado em 1992 em Vila São Jacó.
Se você possui imagens antigas dos encontros e reuniões. Mande pra gente.

Trabalho em grupo